Certamente uma das verdades deste Salmo 112 mais profundas para a nossa compreensão. O versículo 4 no-lo mostra como alguém "piedoso e misericordioso".
Este homem ou pessoa bem-aventurada, que tem características especiais sendo pessoa estabilizada em suas emoções, de convicções bem estabelecidas, de decisões claras e definidas, que teme ao Senhor, que tem prazer em Sua Palavra, que é comprometido com o seu legado geracional e também tem um testemunho de vida forte; Sim, este que é portador de todas estas realidades positivas e abençoadoras em sua vida não se traduz em alguém soberbo, desprovido de misericórdia e sensibilidade.
É alguém diferente do homem que encontramos em uma das parábolas apresentadas pelo Senhor Jesus, a do Fariseu e do Publicano, conforme a lemos em Lucas 18: 9 a 14: "A alguns que confiavam em sua própria justiça e desprezavam os outros, Jesus contou esta parábola: "Dois homens subiram ao templo para orar; um era fariseu e o outro, publicano. O fariseu, em pé, orava no íntimo: 'Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho'. "Mas o publicano ficou a distância. Ele nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: 'Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador'. "Eu digo que este homem, e não o outro, foi para casa justificado diante de Deus. Pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado".
Esta pessoa da mais alta estirpe religiosa judaica nos dias de Jesus, um fariseu, da seita mais ascética dos seus dias, certamente perdeu-se em sua lógica relacional com Deus. Gabava-se de suas pretensas proezas de fidelidade e justiça perante os olhos de Deus em uma oração, enquanto ao mesmo tempo lançava seus olhares de julgamento para alguém que ali estava humilhando-se diante de Deus em oração, arrependimento e confissão.
Jesus fez questão de demonstrar que o ato do fariseu foi inócuo e sem sentido para com os céus, enquanto que o publicano encontrou um caminho aberto junto ao coração do Pai.
Hoje, de diversas maneiras podemos elencar esta espécie de farisaísmo presentes em alguns comportamentos de cristãos, mesmo na pós-modernidade.
Todos corremos o risco de hipervalorizar nossas posturas de fé, nosso fluir nos dons, nossa capacidade de pregar, ganhar almas, realizar as obras de Deus, e o pior, pautados nisto, desprezar ou menosprezar aqueles que estão em fases outras ou circunstâncias outras em sua espiritualidade.
É possível advogarmos a importância dos nossos avanços espirituais e ao mesmo tempo nos perdemos relacionalmente impondo aos outros o peso de olhares julgadores, ao contrário de mãos estendidas para fazê-los avançar.
Quantos ficaram pelo caminho por atitudes tais, aos mesmos direcionadas por aqueles que se julgavam mais espirituais?
Nossos avanços espirituais jamais devem se estabelecer como base opressiva sobre aqueles que ainda precisam avançar.
Entre "sermões" e "ser mão" quantas diferenças existem.
Aprendi algo com os meus filhos. Algumas vezes querendo ensiná-los ou querendo indicar-lhes caminhos mais seguros para a fé, em seus comportamentos cristãos, ouvia-os imediatamente dizer: " Lá vem sermão..."
Ao ouvir isto, diversas vezes, entendi que não estava me fazendo compreender como gostaria. Foi aí que percebi a diferença entre sermão e "ser mão", e desta forma, de uma maneira mais dialogal e menos discursiva, passei a ter deles uma atenção muito mais afetiva e produtiva, porque me tornei para eles mais humano, mais próximo de sua linguagem e realidade.
Esta atitude foi fundamental para que hoje os mesmos permaneçam, não apenas envolvidos com as coisas de Deus, mas filhos e amigos próximos, meus e da Rute.
Exatamente assim vejo que aqueles amados do Senhor que, na igreja ou fora dela, são tratados com graça, amor e misericórdia, respondem aos avanços espirituais de uma maneira linda e especial, e fazem-no porque querem e não porque alguém manda que eles façam.
A graça e a misericórdia relacional faz com que lidemos com as pessoas assim como Deus lida conosco. Deus lida conosco não por aquilo que somos, mas por aquilo que podemos ser e seremos nEle.
Assim aqueles que, sendo pessoas com avanços na fé, dons e talentos desenvolvidos, posições estabelecidas em ministérios e igrejas, mas que ao mesmo tempo, lembram-se de como iniciaram e dos processos que passaram para chegar aos níveis que chegaram, tratam as pessoas que Deus lhes permite cuidar ou com as mesmas se relacionar, sob a ótica da misericórdia, tornam-se para estes referência e estímulo.
A firmeza de um coração não pode torná-lo soberbo.
A unção derramada sobre alguém não torna este alguém um ser que exalta-se a si mesmo.
A unção derramada sobre alguém não torna este alguém um ser que exalta-se a si mesmo.
Aliás, quanto mais ungido alguém se demonstrar, mais humildade demonstrará em seu caminhar, afinal de contas, a verdadeira unção glorifica ao Senhor e somente a Ele.
O Espírito Santo não veio promover homens ou ministérios, Ele veio para glorificar a Jesus.
" No entanto, quando o Espírito da verdade vier, Ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos revelará tudo o que está por vir. O Espírito me glorificará, porque receberá do que é meu e vos anunciará." João 16:13 e 14
Que Deus nos leve a viver esta preciosa postura de um coração firme, a fim de que, com humildade, sejamos benção na vida daqueles que precisam ainda se estabilizar e crescer em sua caminhada com Deus.
Veja o que Paulo diz aos Romanos no capítulo 15 e versos 1 e 2: "Nós que somos fortes na fé devemos ajudar os que são fracos. Devemos ajudá-los nas suas fraquezas e não tentar somente agradar a nós mesmos. Que cada um de nós procure agradar os outros, para o bem deles, a fim de ajudá-los a crescer na fé."
Seja este o nosso desafio cristão todos os dias.
Deus nos abençoe e até o próximo post.

Nenhum comentário:
Postar um comentário