Guardo no meu coração uma lembrança das que mais me impressionaram na vida, a postura de uma irmã, chamada Vânia, que carinhosamente chamávamos de Vaninha. Quanto a postura refiro-me ao dia em que perdera sua filha caçula, cujo nome não me lembro mais.
Estava eu perto da farmácia do nosso bairro, Vila Clóris, na Cidade de Belo Horizonte, minha terra natal, no início da tarde daquele dia.
Estava na esquina quando vi a filha da irmã Vaninha me cumprimentar rapidamente e atravessar a avenida olhando para um dos lados apenas. Em segundos percebi que um caminhão descia em sua direção em alta velocidade e nada pude fazer para avisá-la.
A menina entrou na lateral do caminhão basculante e foi arremessada para debaixo das rodas. Foi uma fatalidade quase que instantânea. Pude apenas assegurar que o motorista efetivasse o socorro à menina, conduzindo-a ao Hospital Dom Bosco, e a seguir ir diretamente à casa da irmã Vaninha para avisá-la do ocorrido. Dura missão.
Ao vê-la, procurei ser calmo e seguro na informação da gravidade do ocorrido, tentando conter as emoções e ao mesmo tempo lidar com aquela adrenalina toda do momento.
Falei-lhe e esperei sua reação. Ela, apressando-se para direcionar-se ao hospital, esperando que ainda houvesse a chance de ver um resultado diferente, recebeu serena, sem consternação a difícil notícia.
Fui com ela para o hospital, e quando lá chegamos a notícia terrível, sua filha já não estava entre nós. Lidando com o momento, observei que ela tinha naquela hora um a graça especial para suportar tudo aquilo e ainda consolar o marido não cristão.
Em um dos dias mais tristes que vivenciei, o que ficou marcado para mim foi a forma como ela permaneceu firme, resoluta em sua fé, ciente da Soberania de Deus em todas as circunstâncias, e aquilo me marcou muito.
O Salmo nos fala no versículo 6 "que o justo jamais será abalado", ou seja, a pessoa bem aventurada que nos é apresentada aqui sabe lidar bem com os impactos que a vida propõe.
Um terremoto pode produzir abalos estruturais em quaisquer ambientes, menos naqueles que se prepararam para tais possibilidades.
As regiões da terra expostas à possibilidade de abalos sísmicos desenvolveram técnicas de construções capazes de suportar tais eventos e manter intacta a estrutura principal, evitando com isto danos maiores entre possíveis vítimas e perdas materiais.
Se para os tremores de terra a resiliência estrutural é essencial, para a vida comum mais ainda.
No entanto, que adianta ter um ser humano que se prepara estruturalmente para os impactos materiais e de de maneira insuficiente para as lides emocionais, psicológicas e espirituais? Jesus nos apresentou o fato de que, no mundo, e especialmente neste mundo caído, enfrentaremos adversidades e aflições. E que isto seja ponto pacífico não temos dúvidas.
Em João 16.33 Jesus afirmou categoricamente que nós passaríamos por dias assim. Mas no mesmo texto Ele propôs que a a maneira correta de enfrentarmos tempos assim seria a de desenvolver bom ânimo, boas expectativas.
No entanto, que adianta ter um ser humano que se prepara estruturalmente para os impactos materiais e de de maneira insuficiente para as lides emocionais, psicológicas e espirituais? Jesus nos apresentou o fato de que, no mundo, e especialmente neste mundo caído, enfrentaremos adversidades e aflições. E que isto seja ponto pacífico não temos dúvidas.
Em João 16.33 Jesus afirmou categoricamente que nós passaríamos por dias assim. Mas no mesmo texto Ele propôs que a a maneira correta de enfrentarmos tempos assim seria a de desenvolver bom ânimo, boas expectativas.
A questão aqui é: Como podemos ter bom ânimo diante de quadros objetivos e concretos de lutas, adversidades e tribulações?
Primeiramente, por aquilo que Ele mesmo disse. "Eu venci o mundo." E nisto podemos depreender diversas conclusões. Pensando num nível raso e básico desta afirmação, poderíamos afirmar que Jesus venceu o mundo no sentido de sobreviver numa postura de contra-cultura ao "establishment" como estabelecido em seus dias.
Ele venceu o "sistema", a iníqua postura corruptiva e de corrupção de caráter existente nos dias em que viveu neste mundo. Ele não se dobrou ante as posturas relacionais de interesse, negociações espúrias, legalismo e estrutura religiosa contaminada pela atitude "farisaica", subserviência de pessoas por interesses espúrios, dentre tantos outros.
Ele cumpriu a sua missão de vida sem contaminar a sua essência, o seu caráter. Ele jamais pecou. Manter intacta a sua personalidade seria essencial para o sucesso de sua missão de ser o Sacrifício perfeito e eficaz por toda a humanidade na Cruz do Calvário. Por nós e para nos salvar de uma eternidade sem Deus, Ele o fez até o fim.
Quando nos sugere o "bom ânimo" diante das adversidades, Ele o faz porque delegou sua vitória à todos nós, os que admitimos estar Nele. Estávamos nele em sua morte, estávamos nEle em sua ressurreição, e se o aceitamos como Senhor e Salvador, estamos respaldados pela Sua Presença em nossas vidas, o que nos torna muito mais resilientes e fortes para os enfrentamentos que nos desafiam.
Ele quer dizer: "Não temam, não se deixem vencer pela ansiedade ou apreensão negativa. No meio disto tudo eu estou com vocês e vou capacitá-los e fortalecê-los para este enfrentamento."
O homem bem-aventurado do Salmo não se abala porque sua primeira perspectiva não é a possibilidade da perda, mas os caminhos pelos quais Deus lhe dará para superar e vencer as crises.
O texto não cita que ele não viverá crises, antes que ao vivê-las, "não será abalado".
As crises, adversidades e pressões quem vem sobre aqueles que andam com Deus são verdadeiros potencializadores de criatividade, inventividade e produtividade melhorada.
A mente prospectiva nos dias de crise sempre há de encontrar caminhos novos e surpreendentes.
Lembro-me de Jacó, quando Labão o seu sogro quis lográ-lo, ao propor que Jacó tivesse de sua propriedade todas as ovelhas listradas ou malhadas do rebanho.
O detalhe é que Labão tomou para si todas as ovelhas que tivessem a possibilidade genética de produzir ovelhas malhadas.
Diante de tal adversidade, Jacó poderia simplesmente sentar e chorar pela injustiça que lhe foi direcionada, ou quem sabe fazer uma "manifestação" aplicando desconforto ao gestor Labão.
Jacó, orando a Deus, recebe uma idéia especial. Coloca varas listradas diante das ovelhas que lhe foram atribuídas, e o faz exatamente no local onde as mesmas comiam e se reproduziam.
Aquele que não tinha ovelhas malhadas torna-se agora proprietário de impressionante rebanho.
É disto que estou falando aqui. De como o homem bem aventurado, o homem citado no Salmo, se comporta diante da adversidade.
Esta é a proposta de Deus para você que hoje lê esta mensagem. Resiliência, fortaleza, constância e progresso no meio das tempestades existenciais.
Jesus quer ser o seu companheiro nesta viagem impressionante. Siga em frente!!!

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