segunda-feira, 27 de abril de 2020

Construindo Corações Firmes - 15 - Um Memorial Eterno


     Uma das mais tremendas realidades que encontramos na palavra reside no sentido dos memoriais. Todos eles existem para ser referências, lembranças importantes, indicadores de caminhos e posturas, dentre outros valores espirituais importantes.

     Uma coisa é se relacionar com tais memoriais, outra coisa é se tornar um memorial. É exatamente disto que o Salmo 112 fala, do fato de que há vidas que, em Deus e no relacionamento com Ele se tornam referenciais que ultrapassam gerações.

     O versículo 6 diz: " o justo estará em memória eterna."

     Esta é uma mensagem poderosa acerca da vida daqueles que andam com Deus. As lembranças relacionadas àqueles que vivem uma vida diante de Deus efetivam impactos por muitas geografias e povos.

     Em Hebreus 11 lemos que há aqueles que, mesmo depois de mortos, ainda fazem alçar a sua voz.

     Não se assuste. Não estou aqui dando apoio ao pensamento espírita de que os mortos possam se comunicar com os vivos. Estou falando do poder de vidas que, por levar Deus a sério, por viver uma profunda aliança com Ele, por deixar um rastro de testemunhos do que Deus fez, produzirão impactos por longos anos após a sua partida.

     Ainda hoje me lembro das pessoas que passaram pelo meu caminho e geraram impactos desta natureza.

     A irmã Vaninha, da qual lhes falei no capítulo anterior, é uma destas pessoas. 

     Lidando com dificuldade para criar sua família, ao lado de um marido que não a acompanhava com fé, cercada de lutas as mais variadas, perseverava constantemente na fé. Mantinha seu coração firme em Deus e sempre tinha uma palavra ou uma oração para nos ofertar. Sempre trazendo vida de Deus por onde passava. 

     Não estando entre nós, sua vida continua a falar, especialmente à todos que a conheceram e tiveram o privilégio de estar com ela.

     Irmã Ana, não menos importante neste sentido, outra mulher de Deus de impressionante fé e amor ao Senhor. Seus dias eram crivados de testemunhos de dependência e direção de Deus.

     Levada era pelo Espírito Santo, diversas vezes, a ir em lugares nos quais nem sabia onde ficavam, mas Deus lhe "soprava" os endereços ou casas nas quais deveria entrar.

    Mulher de fé, mulher de Deus. 

     Miriam, outra irmã que, assim como Ana, tive o privilégio de pastorear e encontrar na mesma uma gigante em fé e caminhada com o Senhor. Mulher guerreira, lutadora, insistente com Deus e os homens. De sorriso fácil e puro, mas de seriedade profunda com as coisas de Deus. Um norte impressionante para os seus filhos e para os filhos de muitos outros.

     Quando falo destas irmãs não as vejo mortas, vejo-as como se estivessem aqui fazendo as mesmas coisas, tal é o rastro de vida de Deus que elas comunicaram aos que as conheceram.

     Mas se , por um lado, a vida do justo se faz um memorial na terra, por outro, tem o mesmo um memorial eterno, na glória e na eternidade. E isso de uma maneira especialíssima, como nos diz este texto: "Haverá mãe que possa esquecer seu bebê que ainda mama e não ter compaixão do filho que gerou? Contudo, ainda que ela se esquecesse, Eu jamais me esquecerei de ti! Eu te gravei nas palmas das minhas mãos; os teus muros estão sempre diante de mim."


     É claro que um primeiro nível esta palavra se direciona ao povo de Israel e sua capital, Jerusalém. Mas na visão profética desta palavra, ela não trata apenas disto. Dis respeito à todos nós, eu e você, que estamos em memória no coração de Deus.

     Ser um memorial nesta terra e estar em memória diante de Deus é de fato uma das mais poderosas bençãos que poderíamos receber. Portanto, porque assim é, receba viva este memorial na terra e no céu. Em Nome de Jesus!!!


segunda-feira, 20 de abril de 2020

Construindo Corações Firmes - 14 - Postura Interna Inabalável

    
    Guardo no meu coração uma lembrança das que mais me impressionaram na vida, a postura de uma irmã, chamada Vânia, que carinhosamente chamávamos de Vaninha. Quanto a postura refiro-me ao dia em que perdera sua filha caçula, cujo nome não me lembro mais.

   Estava eu perto da farmácia do nosso bairro, Vila Clóris, na Cidade de Belo Horizonte, minha terra natal, no início da tarde daquele dia. 

     Estava na esquina quando vi a filha da irmã Vaninha me cumprimentar rapidamente e atravessar a avenida olhando para um dos lados apenas. Em segundos percebi que um caminhão descia em sua direção em alta velocidade e nada pude fazer para avisá-la. 

     A menina entrou na lateral do caminhão basculante e foi arremessada para debaixo das rodas. Foi uma fatalidade quase que instantânea. Pude apenas assegurar que o motorista efetivasse o socorro à menina, conduzindo-a ao Hospital Dom Bosco, e a seguir ir diretamente à casa da irmã Vaninha para avisá-la do ocorrido. Dura missão.

    Ao vê-la, procurei ser calmo e seguro na informação da gravidade do ocorrido, tentando conter as emoções e ao mesmo tempo lidar com aquela adrenalina toda do momento.

   Falei-lhe e esperei sua reação. Ela, apressando-se para direcionar-se ao hospital, esperando que ainda houvesse a chance de ver um resultado diferente, recebeu serena, sem consternação a difícil notícia. 

  Fui com ela para o hospital, e quando lá chegamos a notícia terrível, sua filha já não estava entre nós. Lidando com o momento, observei que ela tinha naquela hora um a graça especial para suportar tudo aquilo e ainda consolar o marido não cristão.

   Em um dos dias mais tristes que vivenciei, o que ficou marcado para mim foi a forma como ela permaneceu firme, resoluta em sua fé, ciente da Soberania de Deus em todas as circunstâncias, e aquilo me marcou muito.

    O Salmo nos fala no versículo 6 "que o justo jamais será abalado", ou seja, a pessoa bem aventurada que nos é apresentada aqui sabe lidar bem com os impactos que a vida propõe.

  Um terremoto pode produzir abalos estruturais em quaisquer ambientes, menos naqueles que se prepararam para tais possibilidades.

    As regiões da terra expostas à possibilidade de abalos sísmicos desenvolveram técnicas de construções capazes de suportar tais eventos e manter intacta a estrutura principal, evitando com isto danos maiores entre possíveis vítimas e perdas materiais.

   Se para os tremores de terra a resiliência estrutural é essencial, para a vida comum mais ainda. 

No entanto, que adianta ter um ser humano que se prepara estruturalmente para os impactos materiais e de de maneira insuficiente para as lides emocionais, psicológicas e espirituais?  Jesus nos apresentou o fato de que, no mundo, e especialmente neste mundo caído, enfrentaremos adversidades e aflições. E que isto seja ponto pacífico não temos dúvidas.  

     Em João 16.33 Jesus afirmou categoricamente que nós passaríamos por dias assim. Mas no mesmo texto Ele propôs que a a maneira correta de enfrentarmos tempos assim seria a de desenvolver bom ânimo, boas expectativas.

   A questão aqui é: Como podemos ter bom ânimo diante de quadros objetivos e concretos de lutas, adversidades e tribulações?

   Primeiramente, por aquilo que Ele mesmo disse. "Eu venci o mundo." E nisto podemos depreender diversas conclusões. Pensando num nível raso e básico desta afirmação, poderíamos afirmar que Jesus venceu o mundo no sentido de sobreviver numa postura de contra-cultura ao "establishment" como estabelecido em seus dias. 

   Ele venceu o "sistema", a iníqua postura corruptiva e de corrupção de caráter existente nos dias em que viveu neste mundo. Ele não se dobrou ante as posturas relacionais de interesse, negociações espúrias, legalismo e estrutura religiosa contaminada pela atitude "farisaica", subserviência de pessoas por interesses espúrios, dentre tantos outros. 

   Ele cumpriu a sua missão de vida sem contaminar a sua essência, o seu caráter. Ele jamais pecou. Manter intacta a sua personalidade seria essencial para o sucesso de sua missão de ser o Sacrifício perfeito e eficaz por toda a humanidade na Cruz do Calvário. Por nós e para nos salvar de uma eternidade sem Deus, Ele o fez até o fim.

 Quando nos sugere o "bom ânimo" diante das adversidades, Ele o faz porque delegou sua vitória à todos nós, os que admitimos estar Nele. Estávamos nele em sua morte, estávamos nEle em sua ressurreição, e se o aceitamos como Senhor e Salvador, estamos respaldados pela Sua Presença em nossas vidas, o que nos torna muito mais resilientes e fortes para os enfrentamentos que nos desafiam.

  Ele quer dizer: "Não temam, não se deixem vencer pela ansiedade ou apreensão negativa. No meio disto tudo eu estou com vocês e vou capacitá-los e fortalecê-los para este enfrentamento."

   O homem bem-aventurado do Salmo não se abala porque sua primeira perspectiva não é a possibilidade da perda, mas os caminhos pelos quais Deus lhe dará para superar e vencer as crises.

   O texto não cita que ele não viverá crises, antes que ao vivê-las, "não será abalado".

  As crises, adversidades e pressões quem vem sobre aqueles que andam com Deus são verdadeiros potencializadores de criatividade, inventividade e produtividade melhorada.

  A mente prospectiva nos dias de crise sempre há de encontrar caminhos novos e surpreendentes.

   Lembro-me de Jacó, quando Labão o seu sogro quis lográ-lo, ao propor que Jacó tivesse de sua propriedade todas as ovelhas listradas ou malhadas do rebanho.

  O detalhe é que Labão tomou para si todas as ovelhas que tivessem a possibilidade genética de produzir ovelhas malhadas.

 Diante de tal adversidade, Jacó poderia simplesmente sentar e chorar pela injustiça que lhe foi direcionada, ou quem sabe fazer uma "manifestação" aplicando desconforto ao gestor Labão.

   Jacó, orando a Deus, recebe uma idéia especial. Coloca varas listradas diante das ovelhas que lhe foram atribuídas, e o faz exatamente no local onde as mesmas comiam e se reproduziam.

   Aquele que não tinha  ovelhas malhadas torna-se agora proprietário de impressionante rebanho.

   É disto que estou falando aqui. De como o homem bem aventurado, o homem citado no Salmo, se comporta diante da adversidade.

  Esta é a proposta de Deus para você que hoje lê esta mensagem. Resiliência, fortaleza, constância e progresso no meio das tempestades existenciais.

 Jesus quer ser o seu companheiro nesta viagem impressionante. Siga em frente!!!

terça-feira, 14 de abril de 2020

Construindo Corações Firmes - 13 - Recebendo A Luz Em Meio às Trevas

     


     Uma outra realidade que vem àqueles que compartilham esta aliança com Deus, que são firmes nesta aliança, a iluminação é uma das realidades mais profundas que os alcança, e muitas vezes de forma sobrenatural.

     Quando falo de iluminação aqui, não me refiro à condição teológica do termo apenas, em que Deus traz luz ao texto Bíblico e passamos a compreendê-lo. Ou de que certamente Ele nos provisione com palavras "rhema", como se é de esperar em questões ou momentos específicos.

     "Ao Justo nasce luz nas trevas", diz o Salmo.

    Quando as trevas se estabelecem o justo também as enfrenta, está inserido no contexto comum. 

     O texto não diz que Deus blinda o justo das situações de trevas, como pensam alguns. Ele vê as trevas, ele sente o efeito das trevas estabelecidas ao seu redor.

     Entenda-se trevas aqui como o ardor das lutas, a pressão das dificuldades, as circunstâncias adversas que se abatem sobre si, sobre os seus ou sobre a sociedade com a qual convive. É deste tipo de trevas que estou falando.

  Quando as trevas se estabelecem neste sentido as pessoas ficam sem "norte", expressam-se confusas e amedrontadas, ficam emparedadas por aquilo que escurece os seus horizontes e faz a mente ficar entenebrecida.

   Ali se estabelece o desespero, a ansiedade encontra pouso, a angústia faz a sua morada e a incerteza trava o coração.

    O justo, diante de tudo isto, vai por outro caminho. 

   No meio das densas trevas a luz o envolve e mostra-lhes saídas que outros jamais enxergaram, seja na forma de ajuda inesperada ou de idéias criativas e surpreendentes para os dias difíceis.

    O justo respira esperança e por isto está sempre aberto aos "insigths" do Alto nos tempos de crise.

   Ele se levanta para oferecer soluções enquanto todos estão paralisados pelo poder dos problemas. Se levanta porque recebe de Deus estas soluções como respostas à sua oração e clamor.

   O nascer desta luz, como propõe o Salmo é de fato um parto. 

    Um parto é o resultado de uma gestação. Uma gestação é o resultado de alguém que se abriu para uma semente e passou a nutrí-la com a expectativa de vir à luz o objetivo tão sonhado.

  Quem se abre para a Semente da Palavra de Deus, da direção do Espirito Santo, da voz de comando do Alto para a sua vida, recebe esta luz nas trevas e supera todos os obstáculos ao redor.

  Enquanto escrevo, estamos sob a influência social dos dias da Pandemia do Coronavírus ou Covid-19. 

  O mundo se comporta de diversas maneiras para combater este quadro, os consensos não se dão facilmente e os medicamentos não são conclusivamente aceitos. 

  Dias tenebrosos pela ansiedade das nações, pelas múltiplas mortes, pela convulsão da economia e da sociedade humana de todas as classes e raças. Lembro o texto Bíblico que diz : Isaías 60:2 " Porque eis que as trevas cobrem a terra, e a escuridão, os povos; mas sobre ti aparece resplendente o SENHOR, e a sua glória se vê sobre ti."

   Se o Salmo diz que ao justo nasce luz nas trevas, o Profeta Isaías diz mais, que enquanto as trevas encobrem os povos a Glória do Senhor nos envolve.

    Estes são dias de esperarmos que o Senhor nos alcance com provisão sobrenatural, com idéias criativas, com bençãos surpreendentes, com novidades do alto.

   Em dias assim se veem aqueles que servem ao Senhor e são guardados por Ele.

  Os justos que recebem tal luz são todos aqueles que, ao contrário da auto-justiça, são justos porque são justificados em Cristo Jesus, abraçados pela graça porque receberam a graça.

  Para estes dias as trevas não são a sua opção mas a luz que virá sobre cada um de nós.

  Tome posse desta verdade e viva na expectativa do que Deus lhe dirá e como Ele lhe conduzirá nestes dias.

   Deus abençoe a sua vida e até o próximo post.



sábado, 11 de abril de 2020

Construindo Corações Firmes - 12 - Que Fatores Vêm Sobre Os de Coração Firme?


     Se o Salmo 112 nos apresenta o perfil de uma pessoa de coração firme, por outro lado nos mostra igualmente aquilo que ocorre em sua vida em função desta mesma firmeza. São consequências de sua semeadura de caráter, de suas escolhas de vida, de suas posturas de fé.

    A primeira realidade que encontramos em um coração firmado em seu relacionamento com Deus está na certeza de que sua provisão virá. O salmo nos aponta a realidade de que a prosperidade será a sua parceira.

   Não entenda aqui prosperidade como se tem espalhado por aí no contexto de muitas igrejas e ministérios, uma busca frenética pelo enriquecimento a todo custo, entendendo-se isto como promessa e bênção para aqueles que buscam a Deus.

     Quem entra por este caminho não procura Deus por ser Deus, mas procura os favores que Deus pode oportunizar, dentre eles tornar alguém rico.

    É aquela espécie de relacionamento com o Gênio da Lâmpada, o dos desejos que o mesmo possa satisfazer, e depois disto, o Gênio não importa mais.

   Não é desta prosperidade que falo aqui e nem desta espécie de motivação de busca de Deus.

   Falo da prosperidade de alguém que se relaciona com Deus à luz do que nos ensina outro Salmo, o 23. 

  Claro que muitos ao examiná-lo ficam embevecidos e abençoados com a expressão do primeiro verso "nada me faltará". 

    Maravilhados e voltados para esta realidade, deixam fixar-se apenas nesta porção e desprezam todo o restante do salmo, que na realidade são pré-requisitos para que este "nada me faltará" se cumpra.

   O salmista do Salmo 23 é Davi, não somente alguém de coração firme, mas lido pela história terrena e celestial como homem "segundo o coração de Deus."

  Este coração expressa neste Salmo seu olhar para Aquele que é "Senhor". Ele diz: " O Senhor..."

   Antes de ser o Provedor ou Aquele que o acompanhará no "vale da sombra da morte", ele é o Senhor de Davi.

   A expressão Senhor aqui é a mesma para Dono, Amo, Proprietário. E se assim é, Davi se vê como alguém de propriedade deste Senhor, pertencente ao Senhor. É o que está bem claro para o seu coração em primeiro lugar.

   Ora, todo proprietário que se digne responsável por aquilo que possui, cuida daquilo que é seu da melhor maneira possível. E podemos afirmar que com Deus isto não é diferente.

   Se tentarmos encontrar um definição de Deus como Deus, assim como A.B. Langstom em sua Teologia Sistemática sugeriu, nossa finitude e imperfeição o impedirá. Mas o mesmo autor nos apresenta a possibilidade de, a partir do que Deus revelou de Si mesmo, encontrarmos uma síntese de atributos que possam descrevê-Lo de forma tênue, mas aproximada.

  Propondo algo assim Langnston nos sugere: "Deus é Espírito Pessoal, perfeitamente bom, que, em santo amor, cria, sustenta e dirige tudo." 

  O Senhor de Davi cria, SUSTENTA e dirige todas as coisas. Ele é o preservador de tudo que é Dele. Quem se vê como propriedade Dele sabe que ele cuidará dos seus caminhos e de sua vida.

   Ao expressar "nada me faltará" Davi expressa a ciência e a confiança que tem quando a este cuidado e nisto descansa.

 Pedro expressa este entendimento e compreensão quando diz: "Lançando sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós." 1 Pedro 5:7

  É como se Pedro dissesse: "Vocês já tem visto o cuidado de Deus para com vocês, portanto descansem."

   Longe de sugerir o enriquecimento ou a prosperidade sem limites, o Salmo 23, todo ele, fala deste cuidado  de Deus para conosco, de Sua Presença em nossas vidas, de Sua condução aos nossos passos "todos os dias da nossa vida". 

  Está em linha com aquilo que o Senhor Jesus nos prometeu. "Eis que estarei convosco todos os dias da vossa vida, até a consumação dos Séculos". Mt. 28.20

  Milhares de irmãos e irmãs são testemunhas vivas de um cuidado assim. 

  Eu e Rute experimentamos isto diversas vezes e de diferentes maneiras, e nossos filhos tem presenciado em suas vidas esta promessa do Senhor.

  Lembro-me de determinada feita, quando, na sua misericórdia e amor, Deus nos provisionou de maneira sobrenatural.

  Estávamos em Belo Horizonte e não estava pastoreando e ainda sem trabalhar, morando junto aos pais de Rute. Tempos difíceis porque estávamos assim pela dureza do meu coração, por ter me afastado do propósito para o qual Deus nos havia chamado.

     No meio desta tribulação terrível daqueles dias eu não tinha como contribuir com as despesas da casa e estava muito triste e envergonhado.

    Naquela crise, um dia, acabara de chegar em casa quando um carro de um supermercado da região estacionou-se na porta da casa. Imediatamente chamou o meu nome e disse-me: "Esta compra é para o senhor."

   Assustado porque achei que era engano, pois nada havia adquirido, perguntei quem havia comprado em meu nome ali. A pessoa não quis falar, simplesmente disse que era para nossa família mesmo.

   Jamais soube quem adquiriu aquela compra que dava para quase 2 meses para uma família, mas certamente soube que estava se cumprindo o "nada me faltará" referido por Davi, no Salmo 23.

   Posso lhe afirmar que não sou rico e nem temos ainda nossa casa própria e carro completamente quitado, mas certamente somos prósperos, o cuidado de Deus nos basta e de diversas formas e usando tantas pessoas diferentes em nossos dias, Ele cuida de todos nós.

  Descanse, esta espécie de prosperidade jamais lhe faltará se o seu coração se firmar no Senhor.

    Deus te abençoe!!! Até o nosso próximo post.



Construindo Corações Firmes - 11 - Firmeza de Quem Confia no Senhor


     Um dos diagnósticos mais relevantes deste homem bem-aventurado reside na sua atitude de confiança. Trata-se de uma pessoa movida por boas expectativas, pela esperança de circunstâncias melhores do que aquelas que momentaneamente enfrenta. Porque internamente é assim tem a propensão para a criatividade, para novas idéias e soluções no confronto e respostas às adversidades. Esta é a importância desta postura confiante.

     A questão é: O que é capaz de fazer com que alguém possua esta espécie de postura confiante mesmo em face a prognósticos e expectativas negativas que apontem dificuldades nos horizontes existenciais?

    Este homem do Salmo 112 não é confiante porque ao seu favor sopram os ventos. O texto diz que ele tem um bom comportamento diante dos rumores mais, dos prognósticos difíceis, dos anúncios e notícias de alta complexidade. No meio de tudo isto sua resiliência e resposta impressionam.

    No início do meu ministério ouvi a ministração de um pastor, do qual hoje não me lembro o nome, que falava sobre o "bom morredor". Ele dizia que o indivíduo que diante  de sintomas mínimos já se imaginasse portador de uma patologia grave tinha o potencial prévio de "bom morredor". Já preparava a sua mente para a falência dos órgãos, para a baixa defesa do organismo, projetando uma visão interna de uma possível falência orgânica diante de qualquer enfermidade.

    Estudando um pouco mais o assunto descobri a leitura do comportamento das pessoas portadoras de hipocondria, para as quais a possibilidade de uma enfermidade se constitui ameaça constante. 
   
   Mesmo que a realidade aponte para o aspecto saudável de seu organismo, o seu bom estado de saúde não é levado em conta. Os riscos e as possibilidades de uma enfermidade que o dizimará são como um monstro constante a lhe espreitar entre as sombras de sua mente. 

   Quem vive assim ganha uma terrível e angustiante companhia, ansiedade e insegurança. Por mais brilhantes que sejam os seus talentos e conhecimento, seu potencial fica profundamente afetado pela falta de confiança interior.

     O homem do Salmo 112 não teme as más notícias, as péssimas expectativas, os prognósticos limitadores de horizontes. Estes fatores não estabelecem a pauta central de suas vidas. 

     No meio do "olho do furacão" ele consegue olhar para cima e perceber que, apesar das impressionantes paredes de vento, o céu continua intacto, o céu ainda está lá. E este é o seu foco, vencer o furacão e de novo contemplar dias abençoadores, onde os céus limpos abençoarão os seus dias.

     O que é capaz de lhe fazer tão confiante assim?

     A questão não é o que, mas Quem.

    O texto nos mostra que este homem confia no Senhor.

  Se a questão é quem, quem é o Senhor deste Salmista? 

    O Senhor deste salmista é digno de confiança porque é o criador dos céus e da terra,como nos diz o Salmo 121, é aquele que se manifestou com livramentos ao seu povo diversas vezes, é aquele com quem o autor do salmo se relaciona e com Quem tem uma relação especial. Ele não "acha" que este Senhor é confiável, sabe por experiência que Ele é.

   Os testemunhos geracionais inspiram esta confiança em seu coração, os testemunhos da história gestam em sua alma esta postura confiante, suas experiências pessoais com Deus confirmam sua base de confiança.

   São estes os mesmos fatores que podem fazer do nosso coração um coração confiante para dias como estes que estamos vivendo.

     Quantos estão sobressaltados com a possibilidade de contrair o COVID-19? 

   Há alguns que simplesmente conseguem ver-se e imaginar-se portadores de uma contaminação inevitável. Eu pergunto, será que realmente tem que ser assim? 

     Se nos guardamos e obedecemos o bom princípio do isolamento social, se conduzimos nossas posturas de higienização da maneira correta, porque nós de fato não poderíamos ter outra expectativa, a de passarmos ilesos por este processo?

   Lembre-se: O bom morredor é aquele imagina-se a próxima vítima.

    Provérbios 23:7 nos diz:" ...assim como imagina na sua alma, assim é..." O que demonstra que muito do que nos acomete nasce na alma e nos pensamentos. 

     Por outro lado isto se confirma com outro texto bíblico impressionante, " Aquilo que teme o ímpio, isso mesmo lhe acontecerá; o que os justos esperam lhes será concedido." Provérbios 10.24

   Neste texto encontramos dois princípios,o ímpio aqui mencionado tem como característica principal o fato de não efetivar nenhuma espécie de relacionamento com Deus. 

   Em todos as expressões bíblicas que encontramos a descrever o comportamento ímpio está a relevante postura de ignorar Deus e os Seus Princípios. Desta forma, esta perspectiva de alguém que viverá sob a pressão dos temores e inseguranças as mais diversas é perfeitamente previsível, e de fato, aquilo que teme, o medo que o assombra, geralmente se cumpre em sua história.

    Mas o mesmo texto nos apresenta o justo, e uma das mais precisas descrições bíblicas acerca do justo é a do seu relacionamento vivo com Deus. Neste contexto ele é apresentado por alguém que é movido por desejos. O texto diz:" ... o desejo do justo se cumprirá..." 

    Trata-se de alguém que não se move, não conduz a sua vida por temores ou receios, mas por desejos e sonhos, esperança e boas expectativas, espera que a sua vida seja tocada pela vontade de Deus que é boa, agradável e perfeita.

     Sua frase predileta será "o melhor de Deus ainda está por vir". 

   Por isto mesmo sua postura quanto ao futuro ou possíveis ameaças é positiva, abençoadora e pacífica.

    O homem do Salmo 112 tem um coração assim e com isso nos apresenta caminhos melhores para os confrontos nos quais a confiança em Deus e em Suas intervenções serão as nossas moedas de maior valor.

Lembre-se: 

Salmos 9:10 - "Em ti confiam todos os que conhecem o teu nome, porque tu, SENHOR, jamais abandonas aqueles que Te buscam." 



sexta-feira, 10 de abril de 2020

Construindo Corações Firmes - 10 - Coração Que Sabe Administrar


     Algo interessante neste Salmo 112 é que ele toca e tange diversos aspectos da vida. Assim, enquanto o lemos podemos encontrar o retrato do homem bem-aventurado, que tem este coração resiliente, com posturas de diligência e sobriedade quanto ao trato administrativo de sua vida. Veja por exemplo o que lemos no verso 5: "disporá de suas coisas com juízo".

   A primeira realidade que aqui encontramos é a de que este homem tem, e se tem é porque recebeu, amealhou, conquistou, provisionou-se a partir de um trato ético, de um trabalho sério e justo. Quando o texto diz que ele "disporá de suas coisas" afirma portanto que ele as tem.

    Mas a chave de nossa reflexão aqui é a expressão juízo, a qual aqui pode significar bom senso, sabedoria, julgamento das circunstâncias e decisões com sobriedade.

  No trato administrativo de nossas vidas, a conquista de bens e condições de sustento melhores precisa ser marcada pelo bom juízo, pela pertinente ação de condução das nossa finanças, aquisições e mesmo filantropia ou ajuda mútua.

   O texto em seu contexto integral nos apresenta uma pessoa que empresta e dá, mas até ao fazê-lo, dispõe aquilo que tem com "juízo", com sabedoria e exatidão em suas decisões, caso contrário veremos circunstâncias nas quais, mesmo com coração bondoso alguém entregue o que é seu ao "devorador", por tabela, uma vez que ajude quem não deveria ou realmente precise ser ajudado. 

   O senso de juízo precisa ser aplicado até quando pretende-se fazer o bem. Este homem do texto o faz: "Ele dispõe suas coisas com juízo". Este homem "abre a mão ao aflito" e o faz com sabedoria e direção de Deus, e não o faz sozinho, sem a direção compartilhada com os seus.

     Voltando ao fato de ter coisas para dispor, sabe alguém assim que tudo que tem não é dele, foi-lhe dado como mordomo de Quem realmente é o Dono. 

  Esta visão da mordomia expressa exatamente a perspectiva equilibrada daqueles que são firmes em seus corações no tocante à sua identidade espiritual. Afinal de contas não é fácil que alguém considere que o produto do suor e da entrega pessoal às atividades diárias de trabalho seja propriedade de Deus em sua vida, não é mesmo?

    Um certo dia, ainda no início do meu ministério, quando era Obreiro da Igreja Batista da Lagoinha no Bairro Vila Clóris, em conversa com o Pr. Márcio Valadão, falava ao mesmo sobre uma pessoa do rebanho que insistia em dizer que nã havia "Dízimos" no Novo Testamento. 

  Ele prontamente me respondeu, "Fernando, no Novo Testamento não apenas encontraremos a palavra Dízimo, encontraremos "TÚDIMO". De imediato fiquei sem entender aonde o Pr. Márcio queria chegar? Túdimo? 

     Jamais havia ouvido alguém dizer isto. 

   "Sim." Foi o que ele me disse: No Novo Testamento, em nossas vidas TUDO é do Senhor. Afinal de contas, como nos diz o texto "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. Colossense 1.16 e 17

    Quem consegue ver-se neste "todas as coisas" consegue compreender plenamente o modo como precisa adminstrar as coisas, tempo, família e demais ações pertinentes à vida no seu dia a dia, e se persevera nisto é porque tem um coração decidido e firme nesta questão.

   Há algo que Jesus disse que muitos não conseguem linkar ao traço administrativo de suas vidas, mas está profundamente ligado e é de fato algo a se pensar com seriedade.

   Em Marcos 4. 24 e 25 lemos: "E seguiu ensinando: “Ponderai atentamente o que tendes ouvido! Pois com a medida com que tiverdes medido vos medirão igualmente a vós; e ainda mais vos será acrescentado! Porquanto, ao que tem mais se lhe dará; de quem não tem, até o que tem lhe será retirado”.

   O contexto aqui está ligado ao ensino da Parábola do Semeador, que refere-se exata e primeiramente ao anúncio do Reino de Deus por meio da semeadura da Palavra de Deus.

    Mas há aqui um fato que chama a atenção e é pertinente quanto a administração das coisas de Deus em nossas vidas.

   Vivemos todos debaixo do Princípio da Semeadura e da Colheita, assim como nos ensina o texto de Paulo aos Gálatas, capítulo 6.7 e 8. Desta maneira, temos a opção de estabelecer em nossos atos administrativos pessoais, usando indevidamente a nossa mordomia, semeando para a carne e colhendo corrupção. 

    Ora, aqui está o mistério terrível, o que se semeia desta maneira é o que desvanece, se desfaz, se corrompe, se destrói. É a história do "bolso furado" que a Bíblia nos apresenta, alguém "tem" e de repente "não tem mais", até o que tem "lhe é tirado". E a gênesi deste processo se deu porque a semeadura foi entre espinhos e pedregais, e não em "boa terra". Neste paralelo que estabeleço aqui, " a boa terra" é a semeadura da nossa mordomia e administração efetivada segundo os Princípios e Vontade de Deus.

     O homem que nos é apresentado pelo Salmo 112 tem coração assim, firme na convicção de que sua vida pertence ao Senhor, de que vive para Ele nesta terra, e porque se vê assim, as demais dimensões de sua vida giram em torno da Vontade de Deus para a sua existência.

   Imagine-se agora uma pessoa extremamente rica, possuidora de diversos bens e possibilidades financeiras avançadas. Você precisa de um administrador confiável de tudo isto para lhe auxiliar no trato de uma gestão pertinente. Que tipo de pessoa você procuraria? Uma pessoa que se assenhorasse de suas coisas como se fossem suas ou uma pessoa de caráter ilibado, de coração firme e resoluto para administrar coisas que sabe não lhe pertencer, um verdadeiro mordomo?

     Isto que lhe digo hoje está muito de acordo com o que nos diz o Senhor na Parábola dos Talentos que encontramos em Mateus 25:14-30

   Uma das expressões mais fortes do que Jesus disse acerca da mordomia está descrita aqui, nos versos 26 a 2:“O senhor respondeu: "Servo mau e negligente! Você sabia que eu colho onde não plantei e junto onde não semeei? Então você devia ter confiado o meu dinheiro aos banqueiros, para que, quando eu voltasse, o recebesse de volta com juros. Tirem o talento dele e entreguem-no ao que tem dez. Pois a quem tem, mais será dado, e terá em grande quantidade. Mas a quem não tem, até o que tem lhe será tirado."
    Falar da administração pessoal de nossas vidas é tão mais espiritual quanto falar dos dons espirituais, das curas e expulsão de demônios, afinal de contas, aqui reside o fato de entendermos ou não o que significa dizer que somos "propriedade exclusiva de Deus", conforme Ele mesmo nos diz. "Porém, vós sois geração eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus, cujo propósito é proclamar as grandezas daquele que vos convocou das trevas para sua maravilhosa luz."
I Pedro 2.9

   Porque assim somos, vivamos assim, com corações firmados na identidade que o Senhor nos deu.
      
      Deus nos abençoe e até o próximo post.